terça-feira, junho 21



cartas de amor.




a fachada é branca e suja e arranha ao passar com a mão. as pessoas também. o vento da tarde é frio e arrepia a pele frágil de quem pára porque precisa e não sabe o que fazer. as páginas de um livro desaguam nuas num rio. as águas de uma mulher grávida rebentam. uma pedra explode trinta e três vezes no mesmo sítio, da mesma maneira. dois caralhos esperam por um autocarro que não passa enquanto que uma janela come um gelado sentada na esplanada do costume. uma criança olha ansiosa para cima. a vista é linda e eterna.
não te demores.







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