sábado, junho 18



cartas de amor.






enquanto ando pela cidade penso naquilo que ela me disse sobre o tempo de espera. sabes, no meio disto tudo há um sítio que não vês. nem eu. que é aquele em que mudamos de cor e corremos muito rápido, é aquele em que tu te passas e passas-me em dois e eu não vou gostar porque mais vale um do que dois a voar, sempre ouvi dizer. há-de chegar uma pessoa que não saiba nada disto e que nos diga como é. ela, por exemplo. tenho a certeza que ela não sabe. por isso é que espera, e falou-me daquilo e agora eu também sei que espero e sinto-me impaciente porque é tão incerto quanto o tempo que faz agora. e quem não sabe é pobre mas feliz mas não sei se ia gostar disso. por cá faz frio e a chuva lava a cara seca dos dias quentes que passaram. sento-me e perco-me no cinzento que o céu carrega. e espero. espero pela merda da bonança e pelo dia em que chegares. quando chegares vou-te morder devagarinho, só até fazer doer.







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