
o teu cheiro ainda não ficou.
fechei os olhos na tentativa de isolar o sentido e gravar o teu cheiro mas não consegui. se calhar é porque estás longe. deve ser doce. um veludo quente e áspero de quando em quando. deve desafiar a própria espessura do ar e o silêncio por detrás do ruído. gostava de o ter suave e ríspido no meu corpo, aposto que as tuas roupas se apaixonaram por ti quando as vestiste. fui a uma loja de perfumes na ânsia de te rever numa amostra ou sentir uma semelhança para levar comigo. não encontrei nada. o teu cheiro parece esconder-se, desvanece pelas paredes dos quartos. entretanto deito-me na cama e sonho com o momento em que chegas ao meu Porto, bates à porta de casa, o meu amado, que eu recebo e abraço como quem pede refúgio, trago-te para dentro e encarcero-te no meu mundo para sentir a tua pele a dissolver-se na minha, a tua pele a vestir-se de mim.
o que nao fazemos por isso.
ResponderEliminartalvez só por vezes.
de quando em quando.