terça-feira, janeiro 25



acabei de me recordar do dia em que chorámos o nosso extravio. era tarde, ainda dormias quando cheguei a tua casa. tinha o cabelo arranjado, cortei-o só para ti no dia anterior, estava feliz por te sentir ao meu lado. deitei-me no teu corpo adormecido para te dar os bons dias e entre palavras, delicadamente anunciaste a espada e o sangue. obriguei-te a fazeres amor comigo e tu não te opuseste. depois guardei as nossas coisas na expectativa de não te recordar e não te sofrer. muitas vezes falhei, foi incontrolável sentir o peso da tua distância. mas hoje sinto que acordei de um sono profundo. quase como se o que não queria ver acontecer te tivesse mantido em 'standby' entre o sonho e a realidade. lembro-me então do desconforto do teu rosto enquanto me vinha para ti naquele dia e só hoje me apercebi da tua inegável e catastrófica partida. já passou meio ano, o dia em que renunciaste o nosso amor.



2 comentários:

  1. a saudade é incontrolável .
    depois da partida tudo parece incontrolável e desnecessário . a única coisa necessária era a presença de alguém . a sensação de sentir os seus lábios todas as manhãs , ao acordar .
    já passou meio ano e a saudade continua incontrolável . o amor é fodido , foste tu que mo disseste coisa .

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  2. gostei muito. nunca te faltam as palavras, não é impressionante? às vezes invejo-te por isso.

    o que é que tinha a cara dele quando te vieste? culpa? eu queria que estivesse manchada de culpa, que a consciência se lhe reflectisse nos olhos, pesada..
    eu quero que ele esteja muito mal e muito bem. mas quero que tu estejas melhor, sempre, de qualquer das formas.
    pensei que deviamos gostar de conhecer a capital da europa. vamos sonhar?

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