não consigo recordar-me do som da tua voz. a simbiose perfeita entre uma subtileza arrepiante e uma ferocidade destrutiva. uma voz de homem, de cortar com todas as palavras e raciocínios. derrubaste-me as defesas e foste embora. tonto, caio no chão, um chão duro e sujo talhado de escarlate, e nele, o meu corpo triturado afoga-se nas memórias da tua voz esquecida entre dias e desesperos. os delírios são iminentes, chegam e devoram o que restou de nós. é impossível rever-te de outra forma. e se a loucura é um traço cada vez mais presente em mim, porque não aceitá-la. procuro-te como um louco. procuro-te nas vielas, nos telhados, atrás das portas, debaixo das pedras. procuro-te nas estradas por onde andámos, nas roupas que tocaste, nas linhas que me escreveste, nos lábios que beijaste. procuro-te no recanto mais cavado do meu corpo. onde estás tu agora? cabrão, fazes-me tanta falta. quero evitar o amor.
sexta-feira, outubro 8
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procura-o entre as omoplatas que te esburacam a pele das costas, procura melhor. escava fundo. procura-o para que te encontres. para que me encontres a agarrar-te os nacos de carne que vais perdendo a meio dessa destruíção que sobre ti se esbate.
ResponderEliminardepois de o encontrares escravinhado a negro, lembra-te que sem ele tinhas as costas vazias. (sem histórias por que reclamar)
o cabrão pode não voltar.
adorei o quanto as palavras que cuspiste reclamaram o quanto o amor é muito fodido
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