domingo, junho 5


um homem partiu a nossa casa com um machado grande em forma de espelho, tamanho de rolha. agarrámos nas nossas tshirts e fugimos pela segunda colina, nem tempo de morrer tivemos. depois enterrámos as nossas mãos no chão húmido cor de terra e sentimos a chuva nas costas. curvámos a nuca e escorreu em nós a água enquanto que sentimos o sal das bocas e das lágrimas. inclinámo-nos um pouco e escorregámos pela seiva do pasto e voltámos a fugir em direcção ao calor da linha onde termina o céu. corremos. e enquanto corriamos conseguia ouvir-te dizer o meu nome. e via o teu sorriso quente sobre o vento da tarde. perdemo-nos no arco-íris que se formou só para nós e nunca mais saimos de lá, não tivemos tempo, nem quisemos.


Sem comentários:

Enviar um comentário