domingo, dezembro 19





lembro-me de sair do trabalho e correr pelas ruas até tua casa. lembro-me dos regressos da praia, uma vez por outra deixavas-me pôr uma mudança e treinar a condução. lembro-me de me obrigares a comer. eu comia, fazia-te feliz. poder olhar para ti e o calor do sol era o suficiente. bastava-me. lembro-me do teu ar, aborrecido, quando acendia um cigarro logo a seguir ao outro. lembro-me de falarmos durante horas, depois fazíamos amor e às vezes fodiamos. lembro-me de te agarrar quando nos deitávamos, as tuas costas contra o meu corpo, precisava de te sentir adormecer para depois colar o meu peito na cama, não consigo dormir de outra maneira. quando me sentia adormecer enroscava o braço no teu tronco para te trazer comigo, para não te perder um segundo. estou sentado num comboio qualquer. tenho as mãos frias e os olhos cansados. a velocidade corta as formas da paisagem. a noite entristece as minhas palavras. o comboio vai vazio, completamente vazio. sou assaltado por uma saudade tua a chamar por mim. leva-me para casa, meu amor.



2 comentários:

  1. lembro-me de tudo isso e muito mais, lembro-me de ti a sorrir para mim, de ti a caminhar para mim , de ti a dançar para mim , de ti a chorar para mim... .... ... o que mais me ficou foi dor por te ter magoado...NÃO QUERIA ISSO ... dsclp

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  2. lembras-te de tudo isso e muito mais.
    pena que esse muito quase nunca chegue.

    quando é de anónimo não interessa. é preciso que te lembres.

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