21 de Agosto, 02:02,
nunca esquecerei a maneira como me disseste tudo, não dizendo nada. a nossa forma metafórica de dizer o que não conseguimos. a nossa metafísica. a nossa resistência à intermitente consciência. parece que nasceu e morreu meio mundo desde o que fomos até ao que somos agora. dois corações desmedidos que se morderam. dois perigosos amantes. somos uns tolos é o que é. e uns fracos também. recordo-me de nós. do que omitimos. do que se escreveu no papel. no ar. nos becos. do desejo pelo chegar da noite. do que sabiamos e não quisemos saber. as palavras sujas. o calor do quarto. o formigueiro na barriga. o cabelo na boca. a boca no peito. os dedos no coração. a sede de ti. as saudades de ti. o querer-te a ti. o sacrifício. o tempo a correr de costas, com medo. os meus pés no teu corpo. o teu pé atrás. as lágrimas nos lençóis lavados. o tudo e o nada. o inevitável. o sem aviso. a chapada na cara. o vazio. o silêncio. é-me turtuosa a tua partida. sinto-me no nada. é pouco mas é o que tenho agora. nada. falta-me o tudo. faltas-me tu.
segunda-feira, agosto 23
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sabes que um dia o usarás para sempre.
ResponderEliminarfotografia inteiramente do Bruno.
Sabes o quanto adoro essa palavra : metafísica .
RT
Mais uma vez fazes-me rir pelas lembranças BOAS que as palavras me trazem a memoria, assim como também me traz o oposto no final. Não só pela dor que as palavras me causam neste final mas principalmente pela dor com que as escreveste. Quero te ver, abraçar-te, saber como estas e trocar sorrisos entre as nossas palavras.
ResponderEliminarSAUDADES